Colo-ninho

colo_ninho

Meus queridos filhos, se vocês soubessem o que uma mãe aprende todos os dias..! Sou mãe há 10 quase-quase 11 anos… tanta coisa já vivemos, tanta coisa já mudou, tantas verdades absolutas foram derrubadas..!
As experiências, nossas e as dos outros, já me ajudaram tanto.
Ver o mundo com outros olhos. Perceber que não há regras definidas para nada. Perceber que aquilo que vem nos livros não pode acorrentar-nos a padrões, serve apenas para nos fazer pensar.
Quero pedir-vos desculpa se um dia não houve colo. Espero que compreendam.
As verdades estão sempre a mudar, porque ninguém é dono de dizer: – “Assim é que deve ser!”.
Se algum dia falhei um colo, desculpem-me, estava provavelmente demasiado ocupada a ser racional. Se algum dia vos “obriguei” a dormir sozinhos, para crescerem sem medos (?!) desculpem-me, estava demasiado cansada… queremos fazer o melhor… só que às vezes pensamos que o melhor é o que os outros dizem… quando na verdade só nós, enquanto núcleo de corações, poderemos saber o que melhor se adapta às nossas vivências. Cada coração é único, e por isso está errado pensarmos que o que o “tal espectacular pediatra” diz, ou a socióloga defende, há-de ser o melhor para nós. O melhor, para nós, só poderá ser aquilo que nos fizer bem, sem nos ferir a nós, nem aos outros.
Isto de ser mãe é como estar constantemente num misto entre um parque de diversões e os temíveis exames orais, entre ser (voltar a ser) criança e acharmos que temos de mostrar que somos capazes. Capazes de quê? Se a Vida é uma constante aventura e incógnita… então é sermos capazes de nos darmos aos outros, capazes de mostrar valores humanos essenciais, capazes de olhar e, antes de julgar, compreender.
Estamos juntos há quase 11 anos, primeiro três, depois quatro, e agora… prestes a sermos cinco. Pelo caminho, felizmente, já muito colo recuperámos, uns dos outros, e de mim para vocês. Estamos juntos… e a vossa presença vai tranquilizar os meus primeiros momentos de ser mãe outra vez… como se fosse a primeira vez… “porque de cada vez, é sempre como se fosse a primeira vez…!”Semente E se da primeira vez te deixei chorar demais… e se da segunda vez, achei que exigias demais… agora sei, “minha terceira vez”, que nove meses a crescermos juntas, cá dentro, no núcleo da vida, nove meses de amor crescente e de cumplicidade infinita, não podem abruptamente ser interrompidos por normas alheias à Vida, e ao que ela representa. Nove meses de apego, cá dentro, nunca poderão ser interrompidos porque vieste ver o mundo cá fora. Pelo contrário, terás mais braços ainda para o aconchego. Afinal… terás tanto tempo para estar longe do ninho… vamos querer-te perto, terceira LUZ…
e eu estarei para vocês sempre perto. Sempre.

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